05 Agosto 2009

Música boa?

Fazia tempo que não me apaixonava tanto por um músico brasileiro quanto me apaixonei por Jay Vaquer. Simplesmente não consigo mais parar de ouvir! E posso ouvir a mesma música mil vezes, SEMPRE vou encontrar algo novo na letra, ou na maneira como a melodia foi incorporada ao que a música tem pra passar.

Lembro de quando eu tinha, sei lá, 13 (?) anos e vi o clipe de "Pode Agradecer" na MTV. Fiz cara de "WTF?" e não entendi nada. Não me deixei entender. Só mais um artistazinho no DISK (me sinto velha quando lembro que "na minha época" o DISK ainda existia ... e com a SARA!).

Um tempo depois ouvi "Cotidiano de um Casal Feliz" no rádio e achei o máximo. Como alguém podia ter tido a genialidade de escrever aquela letra?


( ♪ e a esposa anda malhada
fez lipoescultura
e a falta de cultura nunca foi problema
ela tem dinheiro pra dar e vender
lê Paulo Coelho e Seicho no ie
vai saber por queee ♪ ...)

Irônico, crítico, excêntrico. Afinal, alguém sabe dizer o que é normal?

Esse ano, num dia de tédio na internet, decidi baixar uma coletânea não oficial feita por um fã. E então descobri um dos melhores compositores da atualidade. Tratei logo de baixar os álbuns completos. E já tô juntando dinheiro pra assim que ele vier de novo pra São Paulo eu ir ao show e comprar os CDs originais.

Se alguém tiver interessado em ouvir músicas com letras criativas, críticas, ácidas em alguns casos e extremamente doces em outros, que tratem de temas simples como o amor e a vida cotidiana ou complexos como o suicídio, a corrupção e a injustiça, pode ir direto no MySpace ouvir Jay Vaquer e se deliciar com as letras surpreendentes desse, além de tudo, ótimo cantor.

30 Julho 2009

Respeito? Onde?

Faz tempo que não escrevo sobre um assunto que me incomode aqui no blog, mas diante de toda essa euforia com relação aos comentários do Danilo Gentili e do Helio de la Peña no Twitter e também nos blogs de cada um, me deu vontade de falar.

Primeiro, sou fã - mesmo! - do CQC. Já gostava do Rafinha Bastos, do Oscar Filho e até do Danilo mesmo antes de fazerem o programa. Sempre ri litros com vídeos deles no youtube e acho o máximo tarem fazendo um programa que tem matérias realmente engraçadas e úteis.

Em contrapartida, não vejo graça nenhuma no Casseta e Planeta. Acho que quando eu era criança até dava umas risadas com o Seu Creysson (?), mas faz anos que não assisto o programa por achá-lo realmente SEM GRAÇA.


Mas aí que tá. A minha admiração - ou falta dela - por alguém não pode colocar um tampão no meu medidor de bom-senso.

Danilo Gentili fez uma piada RACISTA no Twitter (“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”). Isso não é humor. Não é humor porque não foi engraçado pro cara negro - que é fã dele ou não - nem pro cara branco que tem a mínima noção da marginalização social que vivemos até hoje por culpa de pensamentos como esse.

Não acho que as minorias devem ser definitivamente excluídas do humor - até porque eu já ri de piada de gay e não vou mentir aqui. Mas tem jeitos e jeitos de se fazer isso. Não é legal chamar um gay de viado. Nem um gordo de baleia. Me chamem de chata, de politicamente correta, de pseudo-defensora-de-minorias, de mal-humorada. Mas não dá.

O respeito ao outro tem que vir acima de tudo na vida de qualquer um. Tem que vir acima da palavra que você diz pro seu amigo, pro seu vizinho. Tem que vir acima do que você digita na frente do seu computador.

E o que mais me deixa espantada, é que muitos 'fãs' do Danilo Gentili simplesmente esqueceram a noção de respeito que possivelmente nunca tiveram e saíram como loucos defendendo o que o cara disse. Fizeram isso inclusive no blog do La Peña. Quem é a tal 'juventude' fã de CQC porque curte o 'humor inteligente'? Um bando de carneirinhos que riem mecanicamente até de piadas preconceituosas e de mau gosto.

Continuo achando o Danilo um cara inteligente. Assim como vou continuar assistindo o CQC e rindo de toda a palhaçada que ele mostra nas reportagens em Brasília. Mas se por um lado Gentili ajuda uma massa de telespectadores a abrir os olhos de forma bem-humorada sobre os problemas políticos do país, de outro acaba por mostrar que o humor ainda tem muito o que evoluir. E as pessoas também.

PS 1: Li a justificativa no blog do Danilo e concordo com grande parte do que tá escrito ali. Concordo que tem negro racista. Concordo que grande parte do preconceito começa dentro da própria pessoa. Mas isso não justifica o fato da piada ser discriminatória e esteriotipada.

PS 2: Mesmo não gostando tanto do La Pena como humorista, tive que concordar com o que escreveu aqui. Disse tudo o que eu gostaria de dizer.

PS 3: Também li as piadinhas racistas publicadas pelo Casseta e Planeta aqui. E achei de EXTREMO MAU GOSTO.

PS 4: Só pra constar, também odeio piadas de Isabella Nardoni e do Clodovil.

Agora podem me xingar à vontade nos comentários. :)

27 Julho 2009

A teoria da relatividade de um problema e um resto de palavras sem sentido.

Às vezes eu acho que perdi minha capacidade de expressar sentimentos.
E que, assim, eles vão ficar pra sempre presos dentro de mim, buscando uma maneira de escapar aos poucos, em pequenos gestos e palavras menores ainda.

Toda a minha vontade de desabafar se esvazia.
É preciso se esconder. Se esconder do que o outro vai achar de você. Do que o mundo vai achar de você.

A vontade incontrolável de encontrar palavras pra expressar o que está lá dentro e ninguém vê acaba sendo controlada pela preguiça de fazer o outro entender a grandiosidade do problema que tem o tamanho de um ... átomo? elétron? Não sei.

A relatividade da grandeza de um problema acaba quando aparece a primeira lágrima.
As lágrimas sim são verdadeiros sinais de que o seu problema é um graaaaande problema. Chorou? Está com problemas.

Meus problemas não são perceptíveis a olho nu.
Nem molham meu rosto pra provarem sua grandiosidade.

16 Maio 2009

Um dia frio ...


Sábado. 12º. Simulado do ENEM.

Vontade de fugir do meu dia. E do vestibular. E de todo o resto.

E ao mesmo tempo um desejo incontrolável de estudar até eu não aguentar mais pra conseguir o que eu quero.

Fazendo a prova, encontro um texto bonito.

"O que aconteceria se, um dia ou uma noite, um demônio se esgueirasse furtivamente na mais solitária das tuas solidões e te dissesse: "Esta vida, assim como a vives agora e a vivestes, terás de vivê-la novamente infinitas vezes e nela não haverá nada de novo, mas retornarão a ti cada dor e cada prazer, cada pensamento e suspiro, cada coisa indizivelmente pequena ou grande de tua vida, e tudo na mesma sequência e sucessão (...) ". Não te lançarias ao chão, rangendo os dentens e maldizendo o demônio que assim te falou? Ou então, talvez tendo vivido alguma vez um instante tão imenso, seria esta a tua resposta: Tu és um Deus e nunca ouvi nada tão divino?" (...) A pergunta para qualquer coisa - "Queres isso mais uma vez e ainda inúmeras vezes?" - pensaria sobre o teu modo de agir como o maior dos pesos! Ou, então, quanto teria que amar a ti mesmo e à vida, para não desejar nada mais que esta última e eterna confirmação, esta chancela? (Nietzsche)

Talvez o segredo do tal "aproveite o dia" (das aulas inúteis de litetatura) seja mais bem explicado pelo "e se eu vivesse isso pra sempre?" do que pelo "como se não houvesse amanhã".

(Durante o simulado, eu pensando:

Eu gostaria que todos os dias do resto da minha vida fossem iguais ao de hoje?

Definitivamente, não.)


*


Que todos os dias da minha vida sejam fantásticos o suficiente para que eu queira vivê-los pra sempre.

01 Março 2009

Breve

"É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê."

Já dizia a música.
É preciso força.

Força pra enxergar a estrada que eu não vejo.
Força pra deixar o futuro pra trás.
E ver a estrada do agora.